Só Faz Bem // Pesquisa sobre a influência dos animais de estimação na vida dos idosos revelou muitos benefíciosQuando se pensa em animais de estimação, uma das primeiras associações que se faz é com as crianças. Esse convívio, que muitas vezes é interrompido na vida adulta, volta a acontecer na terceira idade. E a presença dos animaizinhos no cotidiano de quem já tem mais de 60 anos não é apontada exclusivamente como uma forma de minimizar a solidão. El traz outros muitos benefícios.
O veterinário Abdizio Lemos, 85, convive com animais desde a infância e afirma que são ótimas companhias. Foto: Júlio Jacobina/DP/D. A PressQuem está nessa fase da vida vê nos bichinhos de estimação uma companhia.
O psicólogo Alexandre Monteiro fez uma pesquisa sobre a influência do animal de estimação no combate à solidão na vida dos idosos. No estudo, o psicólogo comprovou que a vida dessas pessoas mudou bastante após a aquisição dos bichinhos. "Muitos justificaram que passaram a ter um objetivo na vida, uma companhia. Começaram a fazer exercícios, a cuidar mais da própria higiene - pois passaram a cuidar mais de seu animal também", afirma. O único fato "desagradável" citado pelos idosos em relação a chegada dosnovos companheiros foi o aumento nas despesas. Mas isso não é um grande problema, afirmam.
A professora Fátima Nunes, 66, é uma dessas pessoas que buscou em um animal de estimação uma companhia. A decisão de adotar o primeiro gato surgiu quando ela perdeu o marido, há mais de dez anos. "Foi uma colega minha de trabalho que me deu meu primeiro gatinho. Ele foi abandonado lá no trabalho e decidi criá-lo", conta. Logo depois, quem chegou na casa dela com mais um felino foi o filho. "Não tive como negar. Cuidei dele também. Até que começaram a procriar", diz. Hoje já são quase dez. "Eles me fazem muita companhia. Não me sinto só de forma nenhuma quando estou perto deles". Um cachorrinho também já dividiu espaço com os gatos no apartamento da professora. "Eles não brigavam. Não tive problema quanto a isso. Só não quero mais cachorro. Fiquei muito triste quando o perdi", revela. O amor pelos bichos é tanto que até o sobrenome ela deu a todos eles. E são todos registrados dessa forma. "Lá em casa eles têm autonomia. Entram no meu quarto e convivem muito bem com todos que me visitam", elogia.
Diferente da professora, a relação do veterinário Abdizio Lemos, 85, com os animais começou cedo. Não à toa, ele escolheu a profissão na qual atua até hoje. "Tenho animais desde criança. Hoje crio duas cadelas, que servem também como guarda. Mas que, antes de tudo, são ótimas companhias", esclarece o veterinário. "Como trabalho com animais, a relação afetuosa com os bichos não é esporádica. É diária. E durante quase todo o dia" revela, orgulhoso. "Acho que os animais só nos fazem bem. Seja na juventude ou na terceira idade. Eles são muito fiéis. Sempre." sentencia.